# Pintar e humidade em Lisboa: 60% dos edifícios são anteriores a 1961

> Pintura e humidade em Lisboa, com fontes: prédios antigos (Censos 2021), clima do IPMA, pombalinos e gaioleiros, e o que a Câmara diz sobre obras isentas e andaimes.

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- Updated: 2026-11-03

## Os prédios antigos de Lisboa e as suas paredes

Lisboa tem 49 223 edifícios nos Censos 2021 do INE. São edifícios inteiros, não frações, e a necessidade de reparação é a opinião de quem respondeu ao censo. 16,9% são de antes de 1919, 18,7% de 1919 a 1945 e 24,7% de 1946 a 1960: no total, 60,3% são de antes de 1961, contra 23,1% no país. Só 13,7% são de 2001 ou depois, contra 33,5% no país.

Sobre a reparação, 38,9% dos edifícios precisam de alguma (26,5% ligeira, 8,9% média, 3,5% profunda) e 61,1% não precisam, contra 35,8% e 64,2% no país. A parte de reparação profunda é menor do que a nacional (4,6%). Mas, num parque tão velho, a tinta raramente chega: a pintura só dura se a causa da humidade for tratada primeiro.

Os prédios mais conhecidos são os pombalinos (depois do terramoto de 1755) e os gaioleiros, de paredes de pedra com argamassa de cal. Quem pinta um prédio assim deve perguntar que reboco tem a parede por baixo: um revestimento que não deixa a água sair pode prender a humidade e os sais na parede, segundo a tese sobre gaioleiros que lemos.

## Edifícios (INE, Censos 2021)

- 49223 edifícios recenseados em Lisboa
- 60,3% construídos antes de 1961; 92,3% construídos até 2000
- 3,5% com necessidades de reparação profundas (o edifício todo)

- Antes de 1919: 8322 (16,9%)
- 1919-1945: 9205 (18,7%)
- 1946-1960: 12146 (24,7%)
- 1961-1980: 10504 (21,3%)
- 1981-1990: 2285 (4,6%)
- 1991-2000: 2974 (6,0%)
- 2001-2005: 1801 (3,7%)
- 2006-2010: 1165 (2,4%)
- 2011-2015: 292 (0,6%)
- 2016-2021: 529 (1,1%)

Fonte: INE, Censos 2021, indicador 0011482, atualizado a 2022-11-12. CC BY.

## Chuva, humidade e frio

Na estação do IPMA de Lisboa / Instituto Geofísico (n.º 535, a 77,0 m de altitude), a normal de 1991-2020 dá 793,5 mm de chuva por ano, em 75,5 dias com 1 mm ou mais e 26,7 dias com 10 mm ou mais. Os meses mais chuvosos são novembro (133,9 mm), outubro (110,6 mm), dezembro (108,5 mm) e janeiro (103,8 mm); julho tem 2,6 mm.

A temperatura média anual é 17,6 °C e a mínima média 13,6 °C. Há 0,0 dias por ano com mínima abaixo de 0 °C: o gelo não rebenta tinta em Lisboa, mas a água do outono e do inverno entra pelas fachadas e pelos pisos térreos. De junho a setembro chovem 60,7 mm no total (soma nossa), por isso o verão é a altura mais seca para pintar. A normal do IPMA não traz humidade relativa, por isso não damos esse número.

## Casas e paredes

- Gaioleiros: prédios de cerca de 4 a 6 pisos, do fim do século XIX e início do XX. A tese do IST (2008) diz que quase todos têm uma caixa-de-ar sob o edifício, com grelhas de ferro à altura da rua, para evitar humidade ascensional e apodrecimento dos pavimentos. Se essas grelhas forem tapadas, a ventilação pára (dedução nossa).
- Baixa pombalina: prédios feitos depois de 1755 sobre terreno aluvial, num antigo braço do Tejo, assentes em estacas de madeira. Uma tese da FCT-UNL (2011) refere que a variação do nível da água, causada por caves e parques subterrâneos, apodrece essas estacas. Para a tinta, o que conta é a humidade do piso térreo e das paredes junto ao solo.
- Prédios de 1961 a 1980 são 21,3% do total (10 504 edifícios). Para este grupo não lemos uma fonte sobre paredes de Lisboa. Em geral, os edifícios de betão com paredes finas têm pontes térmicas e condensação nos cantos frios, onde aparece o bolor.

## Regras e licenças

O RJUE (Decreto-Lei 555/99, na redação do Decreto-Lei 108/2026, de 29 de maio) isenta de licença e de comunicação prévia as obras de conservação (art. 6.º, n.º 1, al. a)), que são as destinadas a manter o edifício nas condições existentes, como restauro, reparação ou limpeza (art. 2.º, al. f)). A isenção não dispensa as normas aplicáveis, nem a informação sobre o início dos trabalhos (art. 6.º, n.º 8 e 12). O art. 6.º, n.º 13, diz que podem ser exigidas as taxas antes dessa informação. O dever de conservação é de pelo menos uma vez em cada 8 anos (art. 89.º). Não encontrámos texto que diga se repintar a fachada numa cor diferente é conservação: pergunte à Câmara.

O RMUEL (Regulamento Municipal de Urbanização e Edificação de Lisboa, alterado pelo Aviso 16520/2021) diz no art. 9.º que a Câmara incentiva obras de reparação e conservação, com redução de taxas a fixar em regulamento. No art. 69.º fala em folha de fiscalização e boletim de responsabilidade quando há ocupação autónoma da via pública em obras de conservação. Para andaimes, o serviço «Ocupação da via pública - obras isentas de controlo prévio» em servicos.lisboa.pt (página atualizada a 30 de setembro de 2026) pede o pedido online na Loja Lisboa Online, na plataforma Urbanismo Digital, ou atendimento na Loja Lisboa Entrecampos. A taxa final vem do simulador de taxas urbanísticas. A página não menciona andaimes pelo nome. As páginas da Câmara dizem que a revisão do RJUE entrou em vigor a 1 de outubro; o Decreto-Lei 108/2026 diz que entra no primeiro dia útil do terceiro mês seguinte à publicação. Não conciliámos as duas datas. Não lemos regras de cor de fachada de Lisboa.

https://servicos.lisboa.pt/pedidos/detalhe/ocupacao-da-via-publica-obras-isentas-de-controlo-previo

## Gaioleiros: a caixa-de-ar debaixo do rés-do-chão

A dissertação de José Daniel Lopez Ferreira (Instituto Superior Técnico, outubro de 2008) estuda um prédio gaioleiro de Lisboa. Diz que existe, em quase todos os gaioleiros, uma caixa-de-ar por baixo do edifício, que eleva o rés-do-chão e o ventila. O fim é evitar humidades ascensionais e o apodrecimento de pavimentos e tabiques em contacto com a terra. Nas fachadas vê-se grelhas de ferro à altura da rua, para ventilar e impedir a entrada de animais.

A mesma tese cita Appleton (2003) para a subida de humidade por capilaridade nas paredes e lembra que o Regulamento Geral das Edificações pede caves ventiladas e protegidas da humidade. Para quem vai pintar um rés-do-chão destes, a pergunta prática é se as grelhas estão livres. Esta ligação é nossa, a tese não a faz. Veja o [tratamento da humidade ascensional](https://paredecerta.pt/guias/humidade-ascensional-tratamento).

## Baixa pombalina: terreno de aluvião e nível da água

Segundo a dissertação de Frederico Miranda (FCT-UNL, junho de 2011), a Baixa pombalina fica num antigo braço do Tejo, em terrenos de aluvião, e os edifícios assentam em estacas de madeira. A tese refere que a variação do nível freático, provocada sobretudo por caves e parques de estacionamento subterrâneos, tem levado ao apodrecimento dessas estacas.

A tese trata da estrutura, não da humidade nas paredes. Não encontrámos um estudo que meça humidade em pisos térreos da Baixa. Fica o aviso de que o terreno e a água do subsolo contam, e que uma parede húmida junto ao solo pede diagnóstico antes de pintura. Veja [os três tipos de humidade](https://paredecerta.pt/guias/humidade-nas-paredes-tipos).

## Fontes

- [IPMA, normal climatológica de Lisboa / Instituto Geofísico, 1991-2020 (lida em 3 de novembro de 2026)](https://www.ipma.pt/bin/file.data/climate-normal/cn_91-20_LISBOA_GEOFISICO.pdf)
- [INE, Censos 2021, edifícios por época de construção (0011482, atualizado a 2022-11-12)](https://www.ine.pt/ine/json_indicador/pindica.jsp?op=2&varcd=0011482&lang=PT)
- [Decreto-Lei 108/2026, de 29 de maio (RJUE republicado, art. 2.º, 6.º, 89.º e 13.º), cópia da Ordem dos Arquitectos, lida em 3 de novembro de 2026](https://ordemdosarquitectos.org/backend/uploads/DL_N_108_2026_29_MAIO_2786145a69.pdf)
- [Aviso 16520/2021, alteração do RMUEL, Diário da República (arts. 5.º, 9.º, 69.º), lido em 3 de novembro de 2026](https://diariodarepublica.pt/dr/detalhe/aviso/16520-2021-170514529)
- [Câmara de Lisboa, Ocupação da via pública - obras isentas de controlo prévio (lida em 3 de novembro de 2026)](https://servicos.lisboa.pt/pedidos/detalhe/ocupacao-da-via-publica-obras-isentas-de-controlo-previo)
- [Ferreira (IST, 2008), Aplicabilidade dos novos regulamentos da construção em edifícios gaioleiros](https://fenix.tecnico.ulisboa.pt/downloadFile/395137855223/Tese_FINAL.pdf)
- [Miranda (FCT-UNL, 2011), Caracterização dos edifícios pombalinos da Baixa de Lisboa](https://run.unl.pt/server/api/core/bitstreams/46e1c94c-e6d6-4838-8e7d-23b61f73c202/content)

## FAQ

### Quantos prédios de Lisboa são de antes de 1961?

Segundo os Censos 2021 do INE, 29 673 dos 49 223 edifícios (60,3%) são de antes de 1961, contra 23,1% no país. São edifícios inteiros, não frações. Isto dá uma ideia da idade do parque, não do estado de cada parede.

### Chove muito em Lisboa?

Na estação de Lisboa / Instituto Geofísico (IPMA, 1991-2020) chovem 793,5 mm por ano, em 75,5 dias com 1 mm ou mais. Novembro tem 133,9 mm e julho 2,6 mm. Não há geada: 0,0 dias por ano com mínima abaixo de 0 °C.

### Posso pintar o interior de casa sem pedir licença à Câmara de Lisboa?

As obras de conservação estão isentas de licença e de comunicação prévia no RJUE (art. 6.º, n.º 1, al. a)), e pintar por dentro é, em regra, manutenção. A isenção não afasta as normas aplicáveis nem a informação de início de obra. Em dúvida, pergunte à Câmara ou ao condomínio.

### Preciso de licença para pôr andaimes na rua em Lisboa?

Se o andaime ocupa a via pública, a Câmara tem o serviço «Ocupação da via pública - obras isentas de controlo prévio» em servicos.lisboa.pt, com pedido na Loja Lisboa Online (Urbanismo Digital). A página não diz andaimes pelo nome: confirme com a Câmara se o seu caso se enquadra.

### Porque há humidade nos rés-do-chão dos prédios gaioleiros?

Uma tese do IST (2008) explica que quase todos os gaioleiros têm uma caixa-de-ar ventilada sob o edifício, com grelhas à altura da rua, para evitar humidade ascensional. Se essa ventilação falha, a humidade pode subir pelas paredes. A tese não mede casos concretos.

### A Câmara de Lisboa ajuda a pagar obras de conservação?

O art. 9.º do RMUEL diz que a Câmara incentiva obras de reparação e conservação, sob a forma de redução de taxas urbanísticas a fixar em regulamento municipal. Não lemos esse regulamento de taxas, por isso não sabemos o valor da redução.

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