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Tinta plástica, acrílica, vinílica, esmalte, silicato e cal: o que é cada uma

O que quer cada nome: resina, brilho, esfrega, vapor de água e COV, segundo fichas técnicas e o LNEC, e quando usar cada tipo. Sem ranking de marcas.

Tema
Tintas
Leitura
7 min
Revisto
03/11/2026

«Plástica», «acrílica», «vinílica», «esmalte», «de silicato», «de cal»: os nomes confundem. Este guia explica o que cada tipo é, com dados de fichas técnicas e de um estudo do LNEC, e quando faz sentido usar cada um. Não compara marcas nem diz qual é a melhor. Para escolher por divisão, veja que tinta usar em cada divisão.

Atualizado a 3 de novembro de 2026. Informação geral, não substitui a avaliação de um técnico.

O essencial

  • «Tinta plástica» é o nome popular das tintas aquosas (diluem-se e lavam-se com água). A diferença está na resina: vinílica, acrílica ou mistura.
  • «Esmalte» não quer dizer solvente. A CIN vende um esmalte aquoso 100% acrílico para paredes e um esmalte sintético só para madeira e metal.
  • As tintas de resina formam uma película. O LNEC avisa que, em paredes antigas de cal, essa película pode reter a água e causar empolamento e destacamento.
  • As tintas minerais (silicato, cal, siloxano) deixam passar o vapor e são alcalinas. Pedem cuidados e não se aplicam por cima de tinta plástica.
  • A ficha técnica diz mais do que o nome. Procure resina, brilho, classe de esfrega, permeabilidade ao vapor e COV.

Os nomes, um a um

Plástica, vinílica, acrílica. São tintas de emulsão em água. A ficha da Dyrustar (Dyrup) chama-lhe «tinta plástica» e indica copolímeros vinílicos. A Vinylmatt (CIN) é uma «tinta aquosa vinílica». A Barbosilk (Barbot) usa copolímeros acrílicos e a tinta Cozinhas e Casas de Banho (Barbot) usa uma resina estireno-acrílica. Para o LNEC, «plásticas, acrílicas ou de PVA» são o mesmo grupo: tintas que formam filme.

Esmalte aquoso. A Cinacryl Acetinado é descrita como esmalte aquoso 100% acrílico, para paredes interiores onde se quer mais resistência à lavagem, e também para madeira e metal. Na parede, comporta-se como uma tinta acrílica acetinada.

Esmalte sintético. A Sintecin Satinado (CIN) é um esmalte sintético para madeira e metal, interior ou exterior. A ficha manda limpar a madeira e o metal já pintados com diluente adequado e indica um teor máximo de 300 g/L de COV. Não é uma tinta de parede.

Silicato. A ficha de uma tinta de silicato (Dissoltin) descreve silicato de potássio com menos de 5% de componente orgânico, para fachadas e também interiores, em suportes minerais.

Cal. A ficha da Com-Cal (exteriores) descreve cal aérea CL90, com acabamento mate e pH 13.

Siloxano. O Cinoxano Mineral (CIN) é uma tinta aquosa à base de polisiloxano, para fachadas com aspeto mineral.

Comparação, segundo as fichas lidas

Produto Resina Brilho Esfrega húmida (EN 13300) Vapor de água COV máx.
Vinylmatt (CIN) vinílica mate total classe 1 exterior V1 (alta) 6 g/L
Barbomat (Barbot) copolímeros vinílicos mate classe 1 V1 (alta) 27 g/L
Barbosilk (Barbot) copolímeros acrílicos acetinado classe 1 não indicado 12 g/L
Cinacryl Acetinado (CIN) acrílica acetinado classe 1 sd 0,14 a 1,4 m 91 g/L
Silicato (Dissoltin) silicato de potássio mate não se aplica classe V1 15 g/L
Cinoxano Mineral (CIN) polisiloxano mate não se aplica V1, sd < 0,10 m 39 g/L

O sd é a espessura de ar que oferece a mesma resistência ao vapor: quanto menor, mais a parede «respira». Os limites legais de COV são 30 g/L para mate e 100 g/L para brilhante em paredes interiores, como explicámos em que tinta usar em cada divisão. Por isso o esmalte acetinado, com 91 g/L, ainda cumpre a categoria A/b (100 g/L).

O que o LNEC diz sobre películas e paredes antigas

Num texto de 2002 (Maria do Rosário Veiga e Martha Tavares), o LNEC afirma que as tintas plásticas, acrílicas ou de PVA funcionam mal em paredes de edifícios antigos: formam um filme que impermeabiliza e muda o comportamento da parede à água, e muitas vezes aderem mal a rebocos de cal frágeis. Surgem empolamento, fissuração e destacamento, e os sais podem cristalizar sob a tinta. O texto trata de fachadas de edifícios antigos, não de interiores, mas o mecanismo explica porque falha tinta posta sobre parede que continua húmida. Veja tinta a descascar, bolhas e manchas e salitre.

O mesmo estudo mediu o sd de provetes de reboco: 0,14 m sem pintura, 0,15 m com caiação simples e 0,17 a 0,21 m com três tintas de silicato. Concluiu que a caiação não dificulta a secagem da parede e que as tintas de silicato a atrasam moderadamente. Também notou que a caiação com resina e caseína absorve menos água, e que resina a mais reduz muito a permeabilidade ao vapor.

Cuidados com as tintas minerais

  • Silicato: não se aplica sobre tintas convencionais, plásticas ou esmaltes (fichas da Dissoltin e da CIN SIL-K). A Dissoltin manda remover a tinta antiga. A CIN SIL-K avisa que reage com vidro e alumínio e que o aspeto pode ficar manchado, sem remédio.
  • Cal e silicato: produtos fortemente alcalinos. Use luvas e óculos, e a Com-Cal pede também máscara.
  • Siloxano: a ficha da CIN aponta rebocos de cimento e de cal, tijolo e pedra, sobretudo em fachadas.

Quando usar cada um

  1. Parede interior corrente, rebocada ou em gesso: tinta plástica vinílica ou acrílica. Escolha o brilho e a esfrega pela divisão.
  2. Parede onde se quer lavar muito: classe 1 de esfrega, acrílica ou esmalte aquoso. A Vinylmatt pede 28 dias antes da primeira lavagem.
  3. Madeira e metal: esmalte, aquoso ou sintético, conforme a ficha. Nunca o sintético numa parede.
  4. Casa antiga com reboco de cal: pergunte a um técnico antes de pôr uma película. Cal, silicato ou siloxano são as opções que o LNEC e as fichas apontam para reboco mineral.
  5. Mancha de humidade ou bolor: nenhum tipo resolve a causa. Veja humidade nas paredes.

Para saber os litros, use a calculadora e o guia quantos litros de tinta preciso.

O que não conseguimos confirmar

  • Uma definição oficial de «tinta plástica». É um termo comercial. As descrições vêm das fichas.
  • A permeabilidade ao vapor de várias tintas de resina interiores. A Barbosilk e a Vinylmatt (no interior) não a indicam nas fichas lidas.
  • A classe de vapor da tinta de silicato da Dissoltin. A ficha chama-lhe V1 mas indica o intervalo 0,14 a 1,4 m, que a ficha da CIN Vedaflex atribui a V2. Não resolvemos a diferença.
  • O sd da tinta de cal. A ficha da Com-Cal dá µ = 15, não o sd. Não lemos a ficha da tinta de cal para interiores.
  • A norma EN 13300 e a EN 1062-1. São pagas. Usámos as fichas.
  • O resultado do LNEC em paredes interiores. O estudo é de 2002 e trata de exteriores.
  • Preços e durabilidade comparada. Não há fonte fiável.

Fontes (lidas a 3 de novembro de 2026)

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