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Que tinta usar em cada divisão: sala, quarto, cozinha, casa de banho e teto

Mate ou acetinado, classes de esfrega da EN 13300, limites de COV da lei e o que as tintas anti-fungos fazem e não fazem, divisão a divisão, com fichas técnicas.

Tema
Tintas
Leitura
7 min
Revisto
03/11/2026

A tinta certa depende do que a parede vai sofrer: mãos, vapor, gordura, limpezas. Há três dados na lata ou na ficha técnica que ajudam a escolher: o brilho, a resistência à esfrega e o teor de COV (compostos orgânicos voláteis). Este guia explica cada um, aplica-os à sala, ao quarto, à cozinha, à casa de banho e ao teto, e diz o que uma tinta anti-fungos pode e não pode fazer.

Atualizado a 3 de novembro de 2026. Informação geral, não substitui a avaliação de um técnico.

O essencial

  • As fichas técnicas que lemos classificam as tintas de interior pela norma EN 13300: brilho, resistência à esfrega húmida (classes 1 a 5, a classe 1 é a mais resistente) e poder de cobertura.
  • A lei limita os COV. Desde 1 de janeiro de 2010, uma tinta mate para paredes e tetos interiores pode ter no máximo 30 g/L e uma tinta brilhante 100 g/L (Diretiva 2004/42/CE e Decreto-Lei n.º 181/2006). O rótulo tem de o indicar.
  • «Para casas de banho» não quer dizer «mais resistente à esfrega». A tinta deste tipo que lemos é classe 3; a mate comum da mesma marca é classe 1.
  • Uma tinta anti-fungos protege a película nova. Não mata o bolor que já existe nem trava a humidade. Os fabricantes mandam limpar e desinfetar antes.

Três dados para ler antes de comprar

1. Brilho

As fichas usam os termos da EN 13300. A Barbot define mate total como brilho até 5 medido a 85° (Barbomat) e acetinado como mais de 10 a 85° e menos de 60 a 60° (Barbosilk). A CIN classifica a Vinylmatt como mate total.

A lei usa outro corte: até 25 de brilho a 60° conta como mate (subcategoria a); acima disso é brilhante (subcategoria b). Por isso um acetinado pode ser «mate» para efeitos de COV. A ficha da Barbosilk, acetinada, declara a subcategoria A/a.

A CIN diz que a Vinylmatt, mate total, «permite disfarçar pequenas imperfeições» dos suportes. A Dyrup avisa que um produto mate «poderá ganhar brilho se friccionado».

2. Resistência à esfrega húmida

É medida em laboratório pelo método ISO 11998: conta quanto a película perde de espessura depois de esfregada húmida. A tabela que a Barbot publica com a EN 13300 é esta:

Classe Perda de espessura Ciclos de esfrega
1 menos de 5 µm 200
2 5 a menos de 20 µm 200
3 20 a menos de 70 µm 200
4 menos de 70 µm 40
5 70 µm ou mais 40

Quanto menor a classe, mais lavagens a parede aguenta. Nas fichas que lemos: Vinylmatt (CIN) classe 1, Barbomat classe 1, Barbosilk classe 1, Cozinhas e Casas de Banho (Barbot) classe 3.

3. COV

Os valores-limite da fase II, em vigor desde 1 de janeiro de 2010, para as tintas de interior mais comuns:

Subcategoria (Anexo II da diretiva) Base aquosa Base solvente
a) Mate para paredes e tetos interiores 30 g/L 30 g/L
b) Brilhante para paredes e tetos interiores 100 g/L 100 g/L
g) Primários 30 g/L 350 g/L
h) Primários fixadores 30 g/L 750 g/L

O Decreto-Lei n.º 181/2006 obriga a rotular estes produtos com a subcategoria, o valor-limite e o teor máximo de COV em g/L do produto pronto a usar. As tintas de parede que lemos declaram, no máximo: Branco Total (Barbot) 1 g/L, Cozinhas e Casas de Banho (Barbot) 4 g/L, Vinylmatt 6 g/L, Barbosilk 12 g/L, Dyrustar (Dyrup) 20 g/L, Barbomat 27 g/L, Acrilvip Mate (Robbialac) 29 g/L. Todas abaixo dos 30 g/L. A Barbot e a Robbialac dizem que o valor vale para o produto afinado e diluído com produtos da marca.

A classe A+ de «qualidade do ar interior» que aparece em algumas fichas vem da regulamentação francesa, não da lei portuguesa.

Divisão a divisão

Sala e quarto. A Barbot indica a Barbomat (mate) e a Barbosilk (acetinado) para «quartos, salas e corredores». A escolha entre as duas é sobretudo de aspeto. Num quarto de criança, onde a parede é lavada mais vezes, uma classe 1 dá mais margem, na nossa leitura.

Corredor e escada. São as paredes mais tocadas. Prefira classe 1 ou 2 e lembre-se de que um mate pode ganhar brilho onde se esfrega.

Cozinha. A Robbialac indica a Acrilvip Mate, que é lavável, também para cozinhas e casas de banho. A Barbot tem uma tinta própria para cozinhas, casas de banho e zonas húmidas. Antes de repintar, tire a gordura: a Robbialac manda limpar e desengordurar a tinta antiga em bom estado e passar lixa fina.

Casa de banho. A tinta Cozinhas e Casas de Banho da Barbot é mate e, segundo o fabricante, «reduz a formação de condensação nas superfícies». A ficha pede 3 demãos. A Robbiotel (Robbialac), em mate ou acetinado, é anunciada como resistente aos fungos e à condensação, para paredes e tetos. Nenhuma tinta substitui a ventilação. A OMS recomenda que quem vive na casa gira o uso da água, do aquecimento e da ventilação para evitar humidade em excesso. Para saber de onde vem a água, veja humidade nas paredes.

Teto. A subcategoria a) da lei cobre «paredes e tectos interiores». A Barbot propõe a Branco Total para paredes e tetos e a tinta de zonas húmidas também para tetos de cozinhas e casas de banho. Se o teto tem uma mancha de uma infiltração antiga, a CIN indica um primário para «manchas secas de humidade». Só depois de a fuga estar resolvida: veja infiltração do vizinho de cima.

Tintas anti-fungos: o que fazem e o que não fazem

O que fazem. Levam conservantes que protegem a película. A Vinylmatt declara grau 0 no ensaio de fungos EN 15457, aos 7, 14 e 21 dias. A Barbomat declara classe 0 no ensaio ASTM D 5590. Repare que nenhuma das duas é uma tinta específica para zonas húmidas: muitas tintas comuns já trazem esta proteção.

O que não fazem. Não eliminam bolor que já existe e não secam uma parede molhada. Os próprios fabricantes mandam tratar antes de pintar:

  • Robbialac (Robbiotel): lavar a parede ou o teto com lixívia, passar várias vezes por água limpa, deixar secar bem, aplicar o desinfetante aquoso da marca e deixar atuar 24 horas, aplicar primário e só depois pintar.
  • Barbot: lavar e desinfetar com a solução de limpeza da marca e tratar a parede como pintura nova. Em espaços com mais tendência para fungos, juntar à tinta o aditivo anti-fungos da marca.
  • CIN: aplicar o produto próprio da marca para suportes com fungos e algas. Dyrup: lavar antes com o produto de lavagem da marca.

Siga o rótulo e a ficha de segurança de cada produto e areje a divisão. Pintar por cima de bolor sem tratar a causa não resolve: veja bolor nas paredes. Se há pó branco na parede, leia primeiro salitre.

Roteiro para escolher

  1. Humidade, bolor, salitre ou tinta a descascar? Trate isso primeiro.
  2. Brilho: mate para tetos e paredes com defeitos, acetinado se quer lavar mais vezes.
  3. Esfrega: classe 1 ou 2 onde há contacto.
  4. Rótulo: subcategoria e teor de COV.
  5. Ficha: o primário indicado para a sua parede.
  6. Litros: na calculadora e no guia quantos litros de tinta preciso.

O que não conseguimos confirmar

  • O texto da EN 13300. É uma norma paga. Não a lemos. As classes vêm das fichas técnicas e da tabela da Barbot. Existe uma edição EN 13300:2022; não confirmámos se mudou as classes que as fichas citam.
  • As classes de poder de cobertura. As fichas dão a classe (2 ou 3), mas não lemos a tabela da norma.
  • A eficácia anti-condensação das tintas para casas de banho numa casa real. Só temos a declaração do fabricante.
  • A ficha técnica completa da Robbiotel. Lemos só o folheto, sem data impressa.
  • Alterações ao Decreto-Lei n.º 181/2006. Lemos o texto original no Diário da República. Os valores-limite citados vêm da versão consolidada da diretiva no EUR-Lex.
  • Quem fiscaliza hoje. O artigo 5.º do texto original atribui a fiscalização à Inspeção-Geral do Ambiente e do Ordenamento do Território e à ASAE. Não confirmámos os nomes atuais das entidades.

Fontes (lidas a 3 de novembro de 2026)

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