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Pintar e humidade em Faro: 455 mm de chuva, cal branca e conservação de 8 em 8 anos

Faro tem 48,9 dias de chuva por ano e 455,1 mm (IPMA, 1991-2020), mas 27,3% dos edifícios do concelho são de antes de 1961. O regulamento da Câmara manda conservar cada edifício pelo menos uma vez em cada oito anos.

Localidade
Faro
Distrito
Faro

Ficha da parede

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Casas pintadas de branco e de rosa com molduras e azulejos numa rua de Faro, uma delas com a tinta a descascar
Fachadas pintadas no centro de Faro: a casa branca à direita está bem conservada, a casa rosa mais à direita tem a tinta a descascarNorbert Nagel, CC BY-SA 4.0, Wikimedia Commons (https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Houses_with_azulejo_decoration_-_Faro_-_2015-08-08.jpg)

As paredes de Faro

O concelho de Faro tem 17 346 edifícios nos Censos 2021. São edifícios inteiros, não frações, e a necessidade de reparação é a opinião de quem respondeu ao Censo. 27,3% (4 728) foram construídos antes de 1961, contra 23,1% no país, e 55,4% até 1980, contra 50,2%. Só 15,3% são de 2001 em diante (17,9% no país). Dizem que precisam de alguma reparação 32,7%, abaixo dos 35,8% do país, mas 5,1% pedem reparação profunda, contra 4,6%.

A foto desta página mostra o que se vê no centro: casas de um e dois pisos, rebocadas e pintadas, com molduras de pedra e azulejo. Na mesma rua há uma fachada branca bem tratada e outra com a tinta a descascar. Isto é um retrato de uma esquina, não uma estatística da cidade.

O regulamento municipal chama “frentes de qualidade” às fachadas que contam a história da arquitetura da cidade e que a Câmara já tinha identificado em 2002. Quem as pinta tem de manter ou repor os revestimentos, os acabamentos e as cores originais (artigo 68.º, n.º 2, alínea a). Por isso, antes de escolher uma cor no centro, pergunte à Câmara se a casa está nessa lista.

FontesIPMA, normal climatológica de Faro, 1991-2020 (lida a 3 de novembro de 2026) · Novo Regulamento da Urbanização e da Edificação do Município de Faro, no site da Câmara (lido a 3 de novembro de 2026) · Regulamento de Ocupação do Espaço Público, Publicidade e Propaganda no Concelho de Faro (lido a 3 de novembro de 2026) · Aviso n.º 20948/2024/2, Revisão do PDM de Faro, Diário da República (lido a 3 de novembro de 2026) · INE, Censos 2021, edifícios por época de construção e necessidade de reparação (0011482) · Ordem dos Engenheiros da Região Norte, Reforma do RJUE, Decreto-Lei 108/2026 (guia, lido a 3 de novembro de 2026) · Câmara Municipal de Faro, Normas e regulamentos (índice)

Os edifícios de Faro

17 346 edifícios recenseados em 2021

  • 84,7% construídos até 2000 (país: 82,1%)
  • 27,3% construídos antes de 1961 (país: 23,1%)
  • 5,1% com necessidades de reparação profundas (país: 4,6%)
  1. Antes de 19195,0% (867)
  2. 1919-19459,1% (1574)
  3. 1946-196013,2% (2287)
  4. 1961-198028,2% (4885)
  5. 1981-199015,3% (2656)
  6. 1991-200014,0% (2430)
  7. 2001-20057,3% (1261)
  8. 2006-20104,7% (819)
  9. 2011-20151,0% (173)
  10. 2016-20212,3% (394)

A marca vertical em cada barra é a percentagem do país.

Fonte: INE, Censos 2021, indicador 0011482, atualizado a 12/11/2022. Licença CC BY. Os números são de edifícios inteiros. Um edifício antigo pode estar bem conservado, e um edifício recente pode ter humidade. A idade é uma pista, não um diagnóstico.

Chuva, humidade e frio em Faro

Na estação do IPMA de Faro (n.º 554, altitude 5,0 m, normal 1991-2020) chovem 455,1 mm por ano, em 48,9 dias com 1 mm ou mais e 15,6 dias com 10 mm ou mais. A chuva concentra-se no fim do ano: dezembro tem 90,0 mm, novembro 75,5 mm e outubro 56,0 mm, juntos 221,5 mm, perto de metade do total. Julho tem 0,9 mm e agosto 3,0 mm. A temperatura média anual é 18,2 °C, há 35,5 dias por ano com máxima de 30 °C ou mais e 44,7 noites com mínima de 20 °C ou mais. Não há geada: 0,0 dias com mínima abaixo de 0 °C.

A ficha do IPMA não traz humidade do ar, por isso não damos aqui um valor. O que ela mostra é um clima seco e quente, com uma estação de chuva curta mas forte (só dezembro tem 3,2 dias com 10 mm ou mais). Para pintar, isto sugere deixar as paredes exteriores para os meses secos e evitar as horas de sol direto em julho e agosto, quando a tinta pode secar depressa de mais; é raciocínio nosso, confirme na ficha técnica da tinta. A proximidade da Ria Formosa e do mar pode trazer sais às paredes, mas não encontrámos um estudo sobre Faro: veja o guia sobre salitre e trate o sal antes de pintar.

Casas e paredes em Faro

  • Centro histórico

    O PDM de 2024 (artigo 91.º, n.º 8, alínea a) manda privilegiar a conservação do edifício na Área de Centro Histórico de Faro. Para os imóveis classificados, o regulamento da Câmara trata o reboco de cal como o revestimento tradicional: quando é preciso refazê-lo, prevê argamassa de cal e areia com pintura a cal branca ou pigmentada, ou tinta de silicatos não texturada (artigo 60.º, n.º 2). Não lemos uma regra igual para as casas não classificadas do centro.

  • Prédios antigos

    Entre 1946 e 1980 foram construídos 7 172 edifícios, 41,3% do total do concelho (INE, Censos 2021). Não temos dados sobre o tipo de parede ou de cobertura destes edifícios em Faro: em termos gerais, é a idade em que se juntam cantos frios, varandas e terraços com a impermeabilização no fim de vida, e onde a humidade de condensação e as infiltrações aparecem mais.

  • Casas tradicionais

    Nos aglomerados da Ilha da Culatra, o plano anexo ao PDM admite cobertura inclinada de telha cerâmica ou em terraço (açoteia) e exige que as açoteias tenham impermeabilização adequada à exposição (anexo VI, artigo 14.º, alínea g). Pede reboco em boas condições e, de preferência, pintura branca (alínea c). Fora da Culatra não encontrámos regra equivalente para as açoteias.

  • Moradias

    O concelho tem também moradias e bairros mais recentes: 15,3% dos edifícios são de 2001 em diante. Não encontrámos dados de Faro sobre os problemas destas casas. Como regra geral, veja caleiras, rufos e o remate das platibandas antes de repintar, porque a água que escorre por aí volta a estragar a pintura nova.

Regras e licenças em Faro

O Novo Regulamento da Urbanização e da Edificação de Faro (aprovado pela Assembleia Municipal a 29 de abril de 2013, texto publicado no site da Câmara) tem a lista de obras de escassa relevância no artigo 5.º. Pintar não vem na lista, mas as alíneas g) e h) isentam a troca de revestimentos por outros com acabamento idêntico ao original e a troca de caixilharias na mesma cor e desenho. O n.º 2 exclui imóveis classificados, em zonas de proteção, em conjuntos classificados, e os que são edificações notáveis ou frentes de qualidade.

A lei geral é o RJUE (artigo 6.º): as obras de conservação estão isentas de licença e de comunicação prévia. Segundo um guia da Ordem dos Engenheiros da Região Norte sobre o Decreto-Lei 108/2026 (em vigor a 1 de outubro de 2026, depois do Decreto-Lei 155-B/2026), esta isenção mantém-se. Não lemos o texto do Diário da República. Atenção: a lei define obra de alteração como a que muda a natureza ou a cor dos materiais de revestimento exterior, por isso mudar a cor de uma fachada pode não ser conservação. Pergunte à Câmara.

A conservação é um dever: o artigo 119.º manda fazer obras de conservação pelo menos uma vez em cada oito anos, e a Câmara pode ordenar obras de segurança, salubridade ou arranjo estético depois de uma vistoria. Nos Espaços Urbanos Históricos, o artigo 68.º, n.º 2, só admite, para paramentos, amarelo-terra, vermelhão e rosa velho, com apreciação prévia caso a caso, e branco nos caixilhos. Em imóveis classificados é proibido pintar sem autorização da administração do património (artigo 60.º, n.º 1, alínea a).

Andaimes: o Regulamento de Ocupação do Espaço Público (artigo 11.º, n.º 2) diz que ocupar a via ou o espaço públicos com andaimes por causa de obras de edificação está sujeito a licença municipal, e o artigo 79.º limita o prazo da ocupação ao prazo da obra. O regulamento de urbanização exige tapume com 2,20 m de altura mínima em obras que confinam com o espaço público (artigo 110.º), andaimes fixos, sem andaimes suspensos, e rede de proteção por cima do tapume (artigo 111.º). Não confirmámos a taxa nem o prazo de resposta: o Regulamento n.º 835/2024 de taxas não foi lido.

Ver a fonte (cm-faro.pt)

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Quem pinta uma fachada em Faro: o que a Câmara pode pedir

Para um condomínio ou um proprietário que quer repintar a fachada, o caminho que os textos lidos permitem descrever tem quatro passos:

  1. Veja se a casa está protegida. O PDM de 2024 tem a Área de Centro Histórico de Faro (artigo 89.º, n.º 3) e as “frentes de qualidade” (artigo 24.º). O regulamento de 2013 tem o Anexo IV com a lista das frentes de qualidade; não o lemos por inteiro.
  2. Pergunte se a nova cor conta como conservação. Repor a cor que existe é, em geral, conservação. Mudar a cor pode ser obra de alteração.
  3. Se precisa de andaime na rua, peça a licença de ocupação do espaço público antes de montar. O pedido tem as condições propostas por quem requer (artigo 79.º, n.º 1), que a Câmara só altera por razões previstas, como o trânsito ou a segurança.
  4. Combine o condomínio. Veja o guia sobre pintar a fachada, licença e condomínio.

No PDM, a Ilha da Culatra tem regras próprias: só são permitidas as intervenções do plano da ilha (artigo 82.º, alínea c). Se a sua casa é lá, a Câmara é o primeiro contacto.

Notas gerais

A lei geral (RJUE, artigo 6.º) isenta de licença e de comunicação prévia as obras de conservação, segundo o guia da Ordem dos Engenheiros da Região Norte sobre o Decreto-Lei 108/2026. Mudar a cor pode ser alteração. Em imóveis classificados ou em zona de proteção a isenção não vale: pergunte à Câmara.

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