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Pintar e humidade em Lisboa: 60% dos edifícios são anteriores a 1961

Em Lisboa, 60,3% dos edifícios são de antes de 1961, contra 23,1% no país (Censos 2021). Chovem 793,5 mm por ano, dos quais 603,3 mm de outubro a março, e a geada é praticamente inexistente.

Localidade
Lisboa
Distrito
Lisboa

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Fachada com azulejos azuis e janelas com portadas, e a cúpula do Panteão Nacional ao fundo, em Alfama, Lisboa
Fachada de azulejos e a cúpula do Panteão Nacional, em AlfamaAdam Jones, CC BY-SA 2.0, Wikimedia Commons (ficheiro Street Scene and Architecture - Alfama District - Lisbon, Portugal (4633538980).jpg)

Os prédios antigos de Lisboa e as suas paredes

Lisboa tem 49 223 edifícios nos Censos 2021 do INE. São edifícios inteiros, não frações, e a necessidade de reparação é a opinião de quem respondeu ao censo. 16,9% são de antes de 1919, 18,7% de 1919 a 1945 e 24,7% de 1946 a 1960: no total, 60,3% são de antes de 1961, contra 23,1% no país. Só 13,7% são de 2001 ou depois, contra 33,5% no país.

Sobre a reparação, 38,9% dos edifícios precisam de alguma (26,5% ligeira, 8,9% média, 3,5% profunda) e 61,1% não precisam, contra 35,8% e 64,2% no país. A parte de reparação profunda é menor do que a nacional (4,6%). Mas, num parque tão velho, a tinta raramente chega: a pintura só dura se a causa da humidade for tratada primeiro.

Os prédios mais conhecidos são os pombalinos (depois do terramoto de 1755) e os gaioleiros, de paredes de pedra com argamassa de cal. Quem pinta um prédio assim deve perguntar que reboco tem a parede por baixo: um revestimento que não deixa a água sair pode prender a humidade e os sais na parede, segundo a tese sobre gaioleiros que lemos.

FontesIPMA, normal climatológica de Lisboa / Instituto Geofísico, 1991-2020 (lida em 3 de novembro de 2026) · INE, Censos 2021, edifícios por época de construção (0011482, atualizado a 2022-11-12) · Decreto-Lei 108/2026, de 29 de maio (RJUE republicado, art. 2.º, 6.º, 89.º e 13.º), cópia da Ordem dos Arquitectos, lida em 3 de novembro de 2026 · Aviso 16520/2021, alteração do RMUEL, Diário da República (arts. 5.º, 9.º, 69.º), lido em 3 de novembro de 2026 · Câmara de Lisboa, Ocupação da via pública - obras isentas de controlo prévio (lida em 3 de novembro de 2026) · Ferreira (IST, 2008), Aplicabilidade dos novos regulamentos da construção em edifícios gaioleiros · Miranda (FCT-UNL, 2011), Caracterização dos edifícios pombalinos da Baixa de Lisboa

Os edifícios de Lisboa

49 223 edifícios recenseados em 2021

  • 92,3% construídos até 2000 (país: 82,1%)
  • 60,3% construídos antes de 1961 (país: 23,1%)
  • 3,5% com necessidades de reparação profundas (país: 4,6%)
  1. Antes de 191916,9% (8322)
  2. 1919-194518,7% (9205)
  3. 1946-196024,7% (12 146)
  4. 1961-198021,3% (10 504)
  5. 1981-19904,6% (2285)
  6. 1991-20006,0% (2974)
  7. 2001-20053,7% (1801)
  8. 2006-20102,4% (1165)
  9. 2011-20150,6% (292)
  10. 2016-20211,1% (529)

A marca vertical em cada barra é a percentagem do país.

Fonte: INE, Censos 2021, indicador 0011482, atualizado a 12/11/2022. Licença CC BY. Os números são de edifícios inteiros. Um edifício antigo pode estar bem conservado, e um edifício recente pode ter humidade. A idade é uma pista, não um diagnóstico.

Chuva, humidade e frio em Lisboa

Na estação do IPMA de Lisboa / Instituto Geofísico (n.º 535, a 77,0 m de altitude), a normal de 1991-2020 dá 793,5 mm de chuva por ano, em 75,5 dias com 1 mm ou mais e 26,7 dias com 10 mm ou mais. Os meses mais chuvosos são novembro (133,9 mm), outubro (110,6 mm), dezembro (108,5 mm) e janeiro (103,8 mm); julho tem 2,6 mm.

A temperatura média anual é 17,6 °C e a mínima média 13,6 °C. Há 0,0 dias por ano com mínima abaixo de 0 °C: o gelo não rebenta tinta em Lisboa, mas a água do outono e do inverno entra pelas fachadas e pelos pisos térreos. De junho a setembro chovem 60,7 mm no total (soma nossa), por isso o verão é a altura mais seca para pintar. A normal do IPMA não traz humidade relativa, por isso não damos esse número.

Casas e paredes em Lisboa

  • Prédios antigos

    Gaioleiros: prédios de cerca de 4 a 6 pisos, do fim do século XIX e início do XX. A tese do IST (2008) diz que quase todos têm uma caixa-de-ar sob o edifício, com grelhas de ferro à altura da rua, para evitar humidade ascensional e apodrecimento dos pavimentos. Se essas grelhas forem tapadas, a ventilação pára (dedução nossa).

  • Centro histórico

    Baixa pombalina: prédios feitos depois de 1755 sobre terreno aluvial, num antigo braço do Tejo, assentes em estacas de madeira. Uma tese da FCT-UNL (2011) refere que a variação do nível da água, causada por caves e parques subterrâneos, apodrece essas estacas. Para a tinta, o que conta é a humidade do piso térreo e das paredes junto ao solo.

  • Prédios recentes

    Prédios de 1961 a 1980 são 21,3% do total (10 504 edifícios). Para este grupo não lemos uma fonte sobre paredes de Lisboa. Em geral, os edifícios de betão com paredes finas têm pontes térmicas e condensação nos cantos frios, onde aparece o bolor.

Regras e licenças em Lisboa

O RJUE (Decreto-Lei 555/99, na redação do Decreto-Lei 108/2026, de 29 de maio) isenta de licença e de comunicação prévia as obras de conservação (art. 6.º, n.º 1, al. a)), que são as destinadas a manter o edifício nas condições existentes, como restauro, reparação ou limpeza (art. 2.º, al. f)). A isenção não dispensa as normas aplicáveis, nem a informação sobre o início dos trabalhos (art. 6.º, n.º 8 e 12). O art. 6.º, n.º 13, diz que podem ser exigidas as taxas antes dessa informação. O dever de conservação é de pelo menos uma vez em cada 8 anos (art. 89.º). Não encontrámos texto que diga se repintar a fachada numa cor diferente é conservação: pergunte à Câmara.

O RMUEL (Regulamento Municipal de Urbanização e Edificação de Lisboa, alterado pelo Aviso 16520/2021) diz no art. 9.º que a Câmara incentiva obras de reparação e conservação, com redução de taxas a fixar em regulamento. No art. 69.º fala em folha de fiscalização e boletim de responsabilidade quando há ocupação autónoma da via pública em obras de conservação. Para andaimes, o serviço «Ocupação da via pública - obras isentas de controlo prévio» em servicos.lisboa.pt (página atualizada a 30 de setembro de 2026) pede o pedido online na Loja Lisboa Online, na plataforma Urbanismo Digital, ou atendimento na Loja Lisboa Entrecampos. A taxa final vem do simulador de taxas urbanísticas. A página não menciona andaimes pelo nome. As páginas da Câmara dizem que a revisão do RJUE entrou em vigor a 1 de outubro; o Decreto-Lei 108/2026 diz que entra no primeiro dia útil do terceiro mês seguinte à publicação. Não conciliámos as duas datas. Não lemos regras de cor de fachada de Lisboa.

Ver a fonte (servicos.lisboa.pt)

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Gaioleiros: a caixa-de-ar debaixo do rés-do-chão

A dissertação de José Daniel Lopez Ferreira (Instituto Superior Técnico, outubro de 2008) estuda um prédio gaioleiro de Lisboa. Diz que existe, em quase todos os gaioleiros, uma caixa-de-ar por baixo do edifício, que eleva o rés-do-chão e o ventila. O fim é evitar humidades ascensionais e o apodrecimento de pavimentos e tabiques em contacto com a terra. Nas fachadas vê-se grelhas de ferro à altura da rua, para ventilar e impedir a entrada de animais.

A mesma tese cita Appleton (2003) para a subida de humidade por capilaridade nas paredes e lembra que o Regulamento Geral das Edificações pede caves ventiladas e protegidas da humidade. Para quem vai pintar um rés-do-chão destes, a pergunta prática é se as grelhas estão livres. Esta ligação é nossa, a tese não a faz. Veja o tratamento da humidade ascensional.

Baixa pombalina: terreno de aluvião e nível da água

Segundo a dissertação de Frederico Miranda (FCT-UNL, junho de 2011), a Baixa pombalina fica num antigo braço do Tejo, em terrenos de aluvião, e os edifícios assentam em estacas de madeira. A tese refere que a variação do nível freático, provocada sobretudo por caves e parques de estacionamento subterrâneos, tem levado ao apodrecimento dessas estacas.

A tese trata da estrutura, não da humidade nas paredes. Não encontrámos um estudo que meça humidade em pisos térreos da Baixa. Fica o aviso de que o terreno e a água do subsolo contam, e que uma parede húmida junto ao solo pede diagnóstico antes de pintura. Veja os três tipos de humidade.

Notas gerais

Segundo os Censos 2021 do INE, 29 673 dos 49 223 edifícios (60,3%) são de antes de 1961, contra 23,1% no país. São edifícios inteiros, não frações. Isto dá uma ideia da idade do parque, não do estado de cada parede.

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