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Gesso cartonado e humidade: placas hidrófugas, juntas e como pintar

O que uma placa hidrófuga faz e não faz, como se acabam as juntas (Q1 a Q4), primário antes da tinta e quando é melhor refazer a placa do que pintar.

Tema
Humidade
Leitura
6 min
Revisto
04/11/2026
Gesso cartonado e humidade: placas hidrófugas, juntas e como pintar

Paredes e tetos de gesso cartonado (muitas vezes chamado “pladur”, que é uma marca) são comuns em casas novas e remodeladas. O cartão e o gesso gostam pouco de água. Este guia explica o que são as placas “hidrófugas”, o que elas não fazem, como se pinta uma placa e quando é melhor refazer a parede do que pintar.

Atualizado a 3 de novembro de 2026. Informação geral, não substitui a avaliação de um técnico.

O essencial

  • Uma placa hidrófuga (tipo H1) absorve menos água à superfície. Não é impermeável e não serve de duche.
  • A Knauf indica a H1 para zonas onde a humidade permanente não passe de 80 %. Para duches, a Knauf apresenta outra placa, de cimento (Aquapanel).
  • Placa molhada ou com bolor não se cura com tinta. A EPA diz que materiais porosos com bolor podem ter de ser deitados fora.
  • Para pintar placa nova, as juntas precisam de fita, massa e lixagem e, antes da tinta, uma demão de primário.
  • Mancha de água no teto ou parede de gesso cartonado: primeiro encontrar e resolver a fuga. Depois, ver se a placa ainda está firme.

Porque a humidade afeta o gesso cartonado

A placa tem um núcleo de gesso entre duas folhas de cartão. A EPA lembra que o bolor pode crescer na face de trás de paredes de gesso cartonado, de papel de parede ou de painéis, e que um cheiro a mofo sem origem visível pode indicar bolor escondido. A mesma agência diz que materiais porosos, como placas de teto, “podem ter de ser deitados fora” se ficarem com bolor.

Em condensação, a placa em si raramente é a causa: costuma ser a parede fria que está por trás, ou a falta de ventilação (veja condensação no quarto e na casa). Para o bolor em si, veja bolor nas paredes.

Que placas existem para zonas húmidas

Lemos as páginas de produto de dois fabricantes. Os números abaixo são deles, não nossos.

Placa O que o fabricante diz
Knauf Hidrófuga H1 Tipo H1 (EN 520), cartão verde. Para zonas com humidade permanente até 80 %, como casas de banho e cozinhas. Em contacto com água, cerca de 48 horas antes de o peso subir e a resistência cair.
Placo PPM (Saint-Gobain) H1 (EN 520), para “zonas interiores de humidade média”, cozinhas e casas de banho. Absorção de água na tabela técnica: ≤ 5 %.
Glasroc H (Saint-Gobain) Tipo GM-H1, com fibra de vidro, para zonas muito húmidas. A página indica “elevada resistência à humidade, proliferação de fungos e mofo”.
Knauf Aquapanel Indoor Placa de cimento, “100 % resistente à água e ao bolor”. Para duches, saunas e zonas com salpicos diretos. Aceita cerâmica.

A Saint-Gobain indica ainda perfis metálicos “Hydrostil” e parafusos próprios para zonas húmidas. Não encontrámos nas páginas lidas nenhum aviso sobre pintura destas placas.

Para duches e salpicos diretos, a página da Knauf apresenta a placa de cimento Aquapanel Indoor, não a H1. Esta escolha é da obra, não da pintura: pergunte ao instalador que placa está atrás da parede.

Como se prepara e se pinta a placa

O documento da Eurogypsum e da federação europeia de instaladores de gesso descreve quatro níveis de acabamento das juntas, antes da pintura:

Nível O que inclui Para que serve (segundo o documento)
Q1 Fita e massa nas juntas, cobrir parafusos Sítios sem exigência decorativa, ou onde vai cerâmica
Q2 Q1 mais uma segunda demão para alisar a transição Acabamento normal de paredes e tetos; tintas mates de textura média
Q3 Q2 mais uma terceira demão mais larga e alisar a superfície Pinturas finas e mates
Q4 Q2 mais barramento fino em toda a superfície Tintas de brilho médio e vernizes

O mesmo texto diz que, se o projeto não indicar o nível, vale o Q2, que mesmo assim pode mostrar contrastes com luz rasante, e que cada demão precisa de secar o tempo que o fabricante indica. Só depois de a massa estar completamente seca se aplica a tinta, e antes dela uma demão de primário em toda a superfície, também nas reparações. Se quer uma parede lisa sob luz rasante, peça Q3 ou Q4 ao pintor ou ao instalador e escreva-o no orçamento.

Sobre tinta, lemos a ficha técnica da Dyruplad 2in1 (Dyrup, edição de maio de 2019), formulada para gesso cartonado e usável como primário e acabamento: superfícies bem secas, sem pó; reparações com estuque; 2 a 3 demãos; repintura ao fim de 4 horas a 23 °C e humidade inferior a 60 %; não aplicar com humidade relativa acima de 80 %, nem abaixo de 10 °C ou acima de 30 °C. Vale como exemplo de um produto, não como recomendação. Siga a ficha do produto que comprar. Para quantidades, use a calculadora e o guia quantos litros de tinta.

Pintar ou refazer?

Não encontrámos regra oficial que diga quando uma placa molhada se deve substituir. O que as fontes permitem dizer:

  1. Primeiro a causa. Fuga, infiltração ou condensação continuam a molhar a placa se não forem resolvidas. Veja pintar depois de reparar uma infiltração e pintar o teto: técnica e manchas.
  2. Mancha seca, placa firme, sem bolor, sem cheiro: um primário isolante e a tinta, seguindo a ficha técnica do produto, resolvem o aspeto (veja o guia do teto, acima).
  3. Placa mole, empolada, a esfarelar, com bolor ou cheiro a mofo: a EPA aponta para retirar o material poroso afetado. Não pinte por cima. Fale com um profissional, que deve abrir e ver o que há atrás.
  4. Área grande ou suspeita de bolor escondido: a EPA recomenda chamar um profissional com experiência.

O que não conseguimos confirmar

  • O prazo exato de secagem de uma placa molhada. Não encontrámos fonte. Nenhum fabricante lido dá regra de “seca em X dias”.
  • Que tinta e primário cada fabricante exige para as suas placas. As páginas de produto da Knauf e da Saint-Gobain não trazem instruções de pintura. Só vimos o documento europeu e uma ficha de tinta.
  • Se uma placa H1 impede o bolor. As páginas falam em menor absorção; só a Glasroc H e a Aquapanel mencionam fungos ou bolor.
  • Preços de placas e de mão de obra. Não usámos nenhum.
  • Siniat e outros fabricantes em Portugal. Não encontrámos página portuguesa.

Fontes (lidas a 3 de novembro de 2026)

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